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Sindicatos manifestam preocupação com compra do banco Master pelo BrB

As entidades alertam para as conquências da medida a servidores e à população do DF

Publicado: 01 Abril, 2025 - 11h30 | Última modificação: 04 Abril, 2025 - 09h05

Escrito por: CUT-DF

Paulo H. Carvalho/Agência Brasília
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O Sindicato dos Professores no Distrito Federal (Sinpro-DF) e o Sindicato do Bancários de Brasília manifestaram, em nota, preocupação com a compra do Banco Master pelo Banco Regional de Brasília (BRB).

O Sinpro destaca que a transação consolida a política de descaso do BRB com os superendividados. Atualmente, a categoria do magistério público tem 58% dos(as) professores(as) e orientadores(as) educacionais com empréstimo consignado, 42% com mais da metade da renda comprometida, além de profissionais com praticamente todo o vencimento convertido em pagamento de empréstimo bancário.

Já o Sindicato dos Bancários traz questionamentos sobre a responsabilidade na gestão do BRB e os possíveis impactos da decisão sobre o patrimônio público e a economia do Distrito Federal. 

Leia as notas abaixo.

-  Nota do Sinpro

Compra do Banco Master consolida política de descaso com superendividados

Os próximos meses serão decisivos para o futuro do BRB – e dos endividados e superendividados do Distrito Federal. Com os documentos de pedido de compra do Banco Master pelo banco estatal em mãos, o BC agora vai analisar se o negócio, considerado pelo Sinpro uma bomba no sistema financeiro, é ou não viável.

O Banco Master pertence ao empresário e banqueiro Daniel Vorcaro, conhecido como “lobo da Faria Lima”. A instituição traz no currículo problemas financeiros e de credibilidade que vêm gerando desconfiança no mercado financeiro. Exemplo disso é que, recentemente, o Master tentou vender títulos de dívida no mercado internacional para levantar dinheiro em dólar, mas fracassou. Aliás, o banco sequer publicou o balanço financeiro de dezembro, o que indica a dificuldade para pagar as dívidas.

A situação do Banco Master é tão crítica que o BTG Pactual ofereceu R$ 1 para assumir o controle do Banco e seu passivo financeiro – as dívidas seriam cobertas com recursos do Fundo Garantidor de Crédito (FGC).

Mas, aqui no DF, Vorcaro viu uma oportunidade única. O governador Ibaneis Rocha ofereceu R$ 2 bilhões por 49% das ações do Master, percentual insuficiente para assumir o controle do banco. Se o negócio for fechado, Daniel Vorcaro se manterá dono do Master e, de lambuja, poderá assumir a Presidência do Conselho de Administração do BRB.

Importante ainda trazer para a reflexão a política agressiva do Banco Master para captar recursos. A oferta é de “rendimentos de até 140% do Certificado de Depósito Bancário (CDI) a quem compra papéis da instituição financeira, bastante superiores às taxas médias para bancos pequenos, em torno de 110% a 120% do CDI”, como publicou a Agência Brasil.

Não há dúvidas de que, embora o negócio seja do governo Ibaneis-Celina, a conta vai cair no colo do povo do Distrito Federal, sobretudo dos correntistas do BRB. Isso inclui a categoria do magistério público, que, hoje, tem 58% de seus professores(as) e orientadores(as) educacionais com empréstimo consignado, 42% com mais da metade da renda comprometida e uma série de outros(as) profissionais com praticamente todo o vencimento convertido em pagamento de empréstimo bancário.

Preocupa pensar como a tal política agressiva do Banco Master influenciará a política adotada no BRB, que já sequestra as remunerações dos servidores endividados e superendividados, impedindo que eles e elas tenham acesso ao mínimo necessário da sua remuneração para poder viver.

É no mínimo indignante ver, de um lado, o descaso do governo Ibaneis-Celina com a situação dos endividados e superendividados e, do outro, a complacência com banqueiros malsucedidos.

Enquanto isso, o Sinpro fortalece a luta em defesa daqueles e daquelas que não escolheram destinar praticamente todo o seu salário para pagamento de empréstimo. Aqueles e aquelas que se tornaram vítimas de doenças físicas e psicológicas graves resultantes do superendividamento. Fizemos várias reuniões com a superintendência do BRB, realizamos atos e manifestações para que o Banco cumpra seu papel social e, recentemente, passamos a oferecer atendimento individual e especializado para guiar ações que visem à solução do endividamento e superendividamendo (saiba mais aqui https://www.sinprodf.org.br/canal/).

Temos total ciência de que o dever de oferecer saídas viáveis ao endividamento e superendividamento é do governo Ibaneis-Celina. Entretanto, a responsabilidade com a nossa categoria e a defesa da dignidade da pessoa humana nos conduzem a promover ações que vão ao encontro de saída justas e solidárias para quem está no grupo dos endividados e superendividados. Aliás, um dos principais motivos de estarem nessa condição é a gritante desvalorização salarial.

O Sinpro entende a tentativa do governo Ibaneis-Celina de comprar o Banco Master como estratégia para consolidar um modelo de gestão mais preocupada  com o lucro de banqueiros e de instituições financeiras do que com a dignidade dos(as) professores(as), orientadores(as) educacionais e milhares de servidores(as) públicos correntistas do BRB.

Não há desenvolvimento econômico sem justiça social.

Diretoria colegiada do Sinpro

 

- Nota do Sindicato dos Bancários

NOTA PÚBLICA | Sobre a aquisição do Banco Master pelo BRB

O Sindicato dos Bancários de Brasília manifesta sua profunda preocupação com a possibilidade de atos que podem caracterizar uma possível gestão temerária da atual diretoria do Banco de Brasília (BRB), diante da compra do banco master, no que tange diretamente o interesse público e a segurança econômica da instituição. 

A negociação para a compra de ações do Banco Master, amplamente noticiada pela imprensa, tem sido alvo de análises críticas por parte de especialistas econômicos e de outras instituições do Sistema Financeiro Nacional. Essa movimentação levanta sérios questionamentos sobre a responsabilidade na gestão do BRB e os possíveis impactos dessa decisão sobre o patrimônio público e a economia do Distrito Federal. 

Ressalta-se que, em um passado próximo, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) apontou a concentração da carteira do Banco Master em precatórios, uma carteira sem liquidez, o que agrava as incertezas em torno da aquisição proposta pelo BRB. 

O Conselho de Administração do banco tem competência para decidir sobre a aquisição de uma nova instituição? Ou seria de competência da Câmara Legislativa do Distrito Federal? 

O Sindicato reafirma seu compromisso inabalável de atuar de forma vigilante e firme na defesa dos interesses da sociedade do Distrito Federal e dos trabalhadores do BRB. Seguiremos acompanhando de perto todas as decisões que possam comprometer a estabilidade do banco, a transparência na administração dos recursos públicos e a manutenção dos empregos dos trabalhadores da instituição. 

Reiteramos nossa cobrança para que o governador do Distrito Federal assuma sua responsabilidade na preservação do BRB como uma instituição pública, sólida e comprometida com o atendimento à população do DF, respeitando os objetivos para os quais o banco foi criado. 

Seguiremos exigindo responsabilidade e transparência na gestão do BRB, garantindo que a instituição cumpra seu papel de fomentar o desenvolvimento econômico e social do Distrito Federal, sem colocar em risco o futuro dos trabalhadores e da população brasiliense. 

Sindicato dos Bancários de Brasília 

 

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