Denúncias de corrupção no GDF ameaçam aposentadorias e serviços públicos. Em resposta, funcionalismo cobra a gestão Ibaneis e Celina em ato no Buriti.
Servidores protestam contra o desmonte do patrimônio do DF nesta quarta (18)
A CUT-DF convoca os servidores públicos e a população do Distrito Federal para um ato nesta quarta-feira (18), a partir das 11h30, na praça do Buriti. A atividade acontece em meio a uma crise sem precedentes no GDF, com investigações de corrupção em curso tanto no caso do Banco Master e do BRB quanto, mais recentemente, na secretaria de Educação.
Todos esses desmandos do GDF impactam diretamente os servidores e os serviços prestados à população. Preocupados com os desdobramentos das investigações e com as contas do DF, diversas categorias se reuniram no auditório da CUT-DF, na tarde desta terça (17), para deliberar sobre ações em conjunto para defender o patrimônio do povo do DF. Na ocasião, foi definido o ato na praça do Buriti.
“O governo de Ibaneis e Celina Leão é uma fábrica de escândalos. O povo do DF sofre com o sucateamento dos serviços e não sabe para onde vai a sua contribuição. Todos os dias, acumulam-se denúncias e investigações. A população e os servidores estão cansados de temer pelo presente e pelo futuro, pois não sabemos o impacto que tudo isso vai causar, por exemplo, nas aposentadorias”, afirmou o presidente da CUT-DF, Rodrigo Rodrigues.
A fala da liderança sindical remete à forte ligação financeira entre o BRB e o Instituto de Previdência dos Servidores do DF (Iprev-DF), órgão responsável por gerir e garantir o pagamento dos benefícios de quem se aposenta pelo governo local. O Iprev é um dos maiores acionistas do BRB, detendo mais de 12% do capital do banco. Essas ações compõem o chamado Fundo Solidário Garantidor (FSG), uma reserva criada justamente para dar estabilidade ao regime de previdência e garantir que não falte dinheiro para os pagamentos futuros.
Quando o escândalo da absorção de carteiras do Banco Master estourou no final de 2025, deflagrando operações da Polícia Federal, as ações do BRB despencaram no mercado, chegando a acumular perdas superiores a 40%. Com isso, o patrimônio do fundo de previdência encolheu drasticamente em questão de meses, desidratando a poupança que garante o futuro dos servidores.
As investigações revelaram ainda que o próprio Iprev-DF alocou dinheiro diretamente em negócios ligados aos investigados. O instituto investiu cerca de R$ 6,5 milhões em um fundo (FIP Venture Brasil Central) administrado pela Trustee DTVM, uma gestora intimamente ligada a ex-sócios do Banco Master e que também foi alvo da Polícia Federal. Esse fundo entrou em processo de liquidação, o que levanta o temor real de calote e perda irrecuperável desse dinheiro público.
O cenário se torna ainda mais preocupante por conta de uma regra recente aprovada pela Câmara Legislativa (Lei Complementar nº 1.051/2025). Essa lei autorizou o Iprev a usar até 100% da rentabilidade líquida do Fundo Solidário para pagar as aposentadorias mês a mês. O grande problema é que, com o fundo dando prejuízo em vez de lucro por causa da crise do BRB e do Master, o fluxo de caixa do instituto fica estrangulado. O Tribunal de Contas do DF (TCDF) já abriu inspeções rigorosas alertando para o perigo dessa situação.
De acordo com o presidente da CUT-DF, as aposentadorias continuam sendo pagas a curto prazo porque, caso falte dinheiro no Iprev, o Tesouro do DF é obrigado a cobrir o rombo. “Mas se o BRB não se recuperar do baque causado pelo Banco Master e o GDF não tiver os bilhões necessários para repor essas perdas, todo o sistema previdenciário do Distrito Federal estará em xeque, ameaçando o pagamento das futuras gerações de aposentados”, explicou.
Banco Master e Blackboard: GDF na mira das investigações
O escândalo envolvendo o Banco de Brasília (BRB) e o Banco Master começou quando o BRB absorveu carteiras de crédito de alto risco do Master, o que gerou um grave problema de liquidez na instituição estatal. Em novembro de 2025, a Polícia Federal deflagrou uma operação que resultou na prisão do dono do Banco Master e no afastamento do então presidente do BRB.
Tanto Ibaneis quanto Celina chegaram a defender as operações financeiras antes da ruína do negócio, mas o cenário se agravou este mês (março de 2026) com a revelação de que o escritório de advocacia do qual o governador é sócio afastado assinou um contrato milionário com um fundo ligado aos investigados.
A educação do Distrito Federal também pode ter sofrido desvio de verbas. Há poucos dias, em 12 de março de 2026, foi deflagrada a Operação Blackboard pelo Ministério Público do DF (MPDFT). A investigação apura um esquema de corrupção que teria desviado cerca de R$ 46 a R$ 50 milhões dos cofres públicos por meio de um contrato fraudulento de aluguel firmado pela Secretaria de Educação.
O foco da operação é a locação irregular de um imóvel particular localizado em um setor de motéis na região da Candangolândia, que foi destinado para abrigar estudantes de um centro de ensino fundamental e a sede da Coordenação Regional de Ensino do Núcleo Bandeirante.
De acordo com as investigações, o contrato foi firmado com dispensa ilegal de licitação e fortes indícios de superfaturamento. O esquema é considerado tão grave porque o governo teria gasto mais de R$ 19 milhões apenas em aluguéis por um prédio improvisado, valor que seria mais do que suficiente para reformar a escola original da comunidade escolar. Além disso, o MPDFT aponta que o empresário envolvido teria financiado a compra do próprio imóvel utilizando o dinheiro dos aluguéis pagos antecipadamente ou garantidos pela Secretaria de Educação.
O principal alvo político da operação é o deputado distrital Hermeto, do MDB, que atua como líder do governo na Câmara Legislativa do DF (CLDF). O Ministério Público sustenta que parte expressiva dos recursos desviados para pagar esse aluguel superfaturado teve origem em emendas parlamentares destinadas por ele.
Além do parlamentar, os mandados de busca e apreensão também miraram o ex-secretário de Educação João Pedro Ferraz, servidores da pasta e empresários ligados ao negócio, abrangendo endereços no DF, em São Paulo, em Goiás e no Tocantins. Os envolvidos estão sendo investigados por corrupção ativa e passiva, peculato, fraude a licitação, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
Serviço:
📍 ONDE: Em frente ao Palácio do Buriti
🗓️ QUANDO: Quarta-feira, 18 de março
🕙 HORÁRIO: 11h30
Assinam a convocatória para o ato: CUT-DF, Sinpro-DF, CNTE, Sindetran, SAE, SindEnfermeiro-DF, Sindser, AES-SES/DF, Sindicato dos Odontologistas do Distrito Federal.