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O povo do DF não pode pagar a conta do rombo Master

Empréstimo para “socorrer” o BRB reacende alerta sobre risco de endividamento, corte de investimentos públicos, reajuste de servidores e convocação de concursados

Publicado: 29 Maio, 2026 - 11h54

Escrito por: Marina Maria

Jean Maciel
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A governadora em exercício Celina Leão participou, nesta semana, de audiências no STF para tratar da crise do BRB, agravada depois das operações envolvendo ativos do Banco Master, instituição liquidada pelo Banco Central sob suspeita de fraudes financeiras bilionárias. 

De acordo com o Correio Braziliense, o acordo homologado pelo ministro Luiz Fux, nessa quinta-feira (28), prevê uma operação de até R$ 6,5 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Créditos. A medida busca recompor o capital do BRB e atender às exigências regulatórias do Banco Central, mas não elimina a pergunta central para trabalhadores e trabalhadoras do DF: quem vai pagar essa conta?

Para a CUT-DF, qualquer solução para a crise precisa partir de responsabilização, transparência e proteção dos serviços públicos. O rombo provocado pelas operações ligadas ao Banco Master não pode servir de justificativa para sacrificar reajustes salariais, suspender investimentos essenciais ou adiar a convocação de aprovados em concursos públicos. Servidores e população não podem ser tratados como fiadores de decisões tomadas por Celina Leão e Ibaneis. 

A crise do BRB tem impacto direto sobre o Distrito Federal porque o banco administra a folha de pagamento dos servidores distritais e operacionaliza repasses ligados a políticas públicas locais. Uma deterioração ainda maior da instituição pode afetar áreas sensíveis da administração pública, o que amplia a responsabilidade do GDF na condução do caso.

A investigação no Supremo apura responsabilidades penais pela operação que atingiu o BRB. O ex-presidente do banco, Paulo Henrique Costa, foi preso em 16 de abril, suspeito de ter recebido propina do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, também preso, para viabilizar o negócio, segundo informações da Agência Brasil.

O tamanho final do prejuízo ainda depende da atualização das demonstrações contábeis do BRB. A estimativa divulgada pela Agência Brasil apontava perda superior a R$ 10 bilhões, enquanto a solução negociada no STF passou a tratar de uma operação de até R$ 6,5 bilhões. Essa diferença reforça a necessidade de transparência total sobre os números, os responsáveis e as consequências para o Distrito Federal.

Responsabilização antes de endividamento

A CUT-DF defende que o governo precisa explicar, com precisão, quais serão as garantias da operação, quais impactos ela terá sobre o orçamento do DF e de que forma pretende preservar salário, reajuste, concursos, saúde, educação, transporte e demais políticas públicas. Antes de colocar o Estado em novo ciclo de endividamento, é necessário revisar prioridades, apurar responsabilidades e enfrentar a má gestão dos recursos públicos. 

O GDF manteve uma política de gastos questionável, com investimentos em patrocínios e ações de retorno social duvidosas, enquanto servidores cobravam valorização, nomeações e melhores condições de trabalho. A crise atual exige que o governo reveja essa lógica. 

Todos os caminhos institucionais precisam ser percorridos antes que a conta recaia sobre o orçamento público, os trabalhadores e os usuários dos serviços. A crise do BRB precisa ser enfrentada com apuração rigorosa, cobrança dos responsáveis, controle dos órgãos competentes e medidas que preservem o interesse público.

Defender o BRB é defender o patrimônio do Distrito Federal, mas isso exige transparência, apuração rigorosa e controle público. Não é possível confiar cegamente em quem levou o banco a essa situação por meio de uma gestão marcada por escolhas desastrosas e pela falta de responsabilidade com o Distrito Federal.