A partir de 1º de janeiro, o ministério da Agricultura estará sob comando da deputada federal Tereza Cristina (DEM-MS). A escolha da parlamentar para o cargo passa longe da promoção de equidade de gênero. Na verdade, o tiro do presidente eleito da ultradireita Jair Bolsonaro foi certeiro, já que Tereza Cristina é presidenta da Frente […]
A partir de 1º de janeiro, o ministério da Agricultura estará sob comando da deputada federal Tereza Cristina (DEM-MS). A escolha da parlamentar para o cargo passa longe da promoção de equidade de gênero. Na verdade, o tiro do presidente eleito da ultradireita Jair Bolsonaro foi certeiro, já que Tereza Cristina é presidenta da Frente Parlamentar Agropecuária do Congresso Nacional, mais conhecida como bancada ruralista ou bancada do boi.
Tereza também presidiu a Comissão Especial que aprovou o PL do Veneno (PL 6299/02), que impulsiona o uso de agrotóxicos no Brasil. Aliás, sua acentuada atuação em prol do PL lhe rendeu, inclusive, o apelido de Musa do Veneno. O projeto está pronto para ser votado no Plenário da Câmara.
Desde que entrou em discussão no Congresso, o PL do Veneno desencadeou uma ampla discussão sobre os riscos ao meio ambiente e à saúde da população. De um lado, os ruralistas o receberam com entusiasmo, já que poderiam expandir seus negócios. Do outro, movimentos contrários viram com muita preocupação a medida que ameaça a vida de consumidores e trabalhadores do campo.
Atualmente, o Brasil encabeça a lista dos países que mais consumem agrotóxicos no mundo. A estimativa é que cada pessoa consuma 7,3 litros de pesticida por ano. No Paraná, o índice é ainda mais alarmante e chega a 8,7 litros. Com o fortalecimento da bancada ruralista e a aprovação de projetos nesse sentido, é provável que o uso desses venenos se intensifique, dando ao país a reputação de “paraíso dos agrotóxicos”, como destacou o pesquisador da Fiocruz, Fernando Carneiro em entrevista à Pública.
“Vai ter um impacto direto na saúde do trabalhador, do consumidor brasileiro, da população. Você de repente concentra (o processo de avaliação e aprovação dos agrotóxicos) na agricultura, tirando o papel da saúde e do meio ambiente de olhar a questão por seus ângulos – a saúde pela Toxicologia e o meio ambiente pela Ecotoxicologia”, afirmou.
Na avaliação da secretária do Meio Ambiente da CUT Brasília, Vanessa Sobreira, a nomeação de Tereza deve ser vista como um alerta. Para ela, é importante que os movimentos voltados à saúde do trabalhador e a defesa do meio ambiente se mobilizem para impedir qualquer tipo de retrocesso.
“Colocar com ministra da agricultura uma pessoa que tem se pautado pelas agendas dos ruralistas é bastante preocupante. É um grande risco para o meio ambiente. Isso significa que há uma enorme possibilidade de aumentar a quantidade de veneno que chega à nossa mesa. Além disso, tem a questão da contaminação dos solos, dos rios e dos próprios trabalhadores do campo. Nós da CUT temos encabeçado essa luta em uma campanha permanente contra o uso de agrotóxicos e não aceitaremos que mais pessoas adoeçam devido ao uso de pesticidas nos alimentos”, disse.
Fonte: CUT Brasília