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Mas afinal, quem é Greta Thungerg?

Todos os anos, estudos comprovam o crescimento e os estragos causados pelo aquecimento global. Ainda assim, ele é posto em dúvida. Só o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, um dos principais...

Publicado: 17 Dezembro, 2019 - 11h13 | Última modificação: 19 Dezembro, 2019 - 09h52

Escrito por: Vanessa Galassi

Vanessa Galassi
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Todos os anos, estudos comprovam o crescimento e os estragos causados pelo aquecimento global. Ainda assim, ele é posto em dúvida. Só o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, um dos principais órgãos de divulgação da ONU sobre o assunto, possui 175 cientistas em regime exclusivo. O Greenpeace, famosa ONG holandesa, possui quase 3 milhões de membros no mundo inteiro. Se há alguma rejeição ao assunto – existe até nome no Brasil: “ecochatos” -, parecem existir menos ainda ações práticas para conter os efeitos de um futuro planeta caótico. Só na Amazônia, o desmatamento cresceu 14% em 2017-2018, segundo o Ministério do Meio Ambiente.

Gera surpresa, então, quando cerca de 1 milhão de jovens em 125 países saem para protestar contra a imobilidade política em relação à crise climática, e a líder do movimento é a Greta Thungerg, uma jovem sueca de 16 anos, diagnosticada com Síndrome de Asperger (que gera problemas para relacionamentos sociais) e eleita recentemente a personalidade do ano pela revista Time.

A eleição aconteceu um dia após o presidente Jair Bolsonaro chamar a ativista sueca de “pirralha”. “Qual o nome daquela menina lá? De fora, lá? Greta. A Greta já falou que os índios morreram porque estavam defendendo a Amazônia. É impressionante a imprensa dar espaço para uma pirralha dessa aí. Pirralha”, declarou o ex-capitão.

Após a declaração do presidente, Greta alterou a sua biografia no Twitter para “pirralha”.

Mas afinal, quem é Greta Thungerg?
Greta Thungerg, nascida em janeiro de 2003, ficou famosa com um ato de rebeldia juvenil: matou uma aula por motivações políticas. Em agosto de 2008, decidiu sentar-se em frente ao Parlamento sueco, na cidade de Estocolmo, com uma placa e demais dados sobre o assunto que a assombrou tão cedo na vida. As escritas “greve da escola pelo clima” não demoraram muito para tomarem a cidade: o que aquela garota pequena, de tranças infantis, queria do legislativo de seu país?

Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, Greta declarou que não tinha um plano – “senti que era meu dever moral” – e que fazia a lição de casa enquanto levava a diante seu silencioso protesto. A repercussão foi tanta que o ato foi posteriormente nomeado de FridaysForFuture (Sextas pelo Futuro) e espalhou-se para outros países, cidades e parlamentos. Unificados, se identificam agora como Juventude pelo Clima em suas cartas e ações.

Thunberg, de maneira rápida, conseguiu alcançar palanques mais expressivos do que as ruas de Estocolmo, como demonstrado em seu discurso na COP24 de 2018, edição da conferência global sobre impactos climáticos do planeta, que foi sediada na Polônia. O semblante e voz calmas disseram: “Nossa civilização está sendo sacrificada para dar oportunidades a um número pequeno de pessoas fazer montes de dinheiro.” A nada sutil liderança fez com que seu nome figurasse entre os 25 adolescentes mais influentes do mundo, segundo a revista norte-americana Time.

Filha do século XXI, Greta defende que os pais e avós de sua geração já ficaram tempo demais sem tomar atitudes concretas para conter o aquecimento global. Anos mais cedo, na COP21, o Acordo de Paris parecia ter sido o ultimato das governanças para o ritmo de deterioração do planeta: a meta de conter o aumento da temperatura média em 2ºc, no máximo, até o ano de 2100. Entretanto, o discurso pelo desenvolvimento com o uso de combustíveis fósseis – o petróleo como ouro e preciosidade geopolítica – ainda é predominante no jogo da supremacia pelos bens industriais.

Mesmo com o contexto complicado, o recado que jovens como Thunberg deixam é de esperança das gerações atuais, sem mais tempo para premonições do que pode vir a acontecer. Em discurso no Fórum Econômico Mundial de 2019, em Davos, declarou saber onde é seu lugar. “Há quem diga que devia estar na escola: mas por que vou me preparar para um futuro que pode não existir?”

Fonte: Carta Capital

DF