Marcha da Classe Trabalhadora toma Brasília pelo fim da escala 6x1
Além da redução da jornada, a mobilização levou pautas como o enfrentamento à violência e o direito à negociação coletiva dos servidores públicos a todos os poderes da república
Publicado: 15 Abril, 2026 - 21h19
Escrito por: Marina Maria
A Marcha da Classe Trabalhadora ocupou a Esplanada dos Ministérios na manhã desta quinta-feira (15). O clima nas ruas de Brasília refletiu a publicação do projeto de lei em regime de urgência no Diário Oficial da União. Assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o texto propõe a extinção da escala 6x1 e a redução da jornada para 40 horas semanais sem corte salarial. A atividade foi convocada e organizada pela CUT e as outras centrais sindicais.
O ministro Guilherme Boulos discursou no ato. Ele classificou a data como um marco a ser lembrado por gerações. "A última vez que o Brasil reduziu a jornada foi há 38 anos, de 48 para 44 horas. De lá para cá o mundo evoluiu. A produtividade do trabalho aumentou. O trabalhador ficou sem a sua parte de ganho em tempo de descanso", afirmou.
Boulos destacou a coragem do presidente da República para enfrentar o tema e pressionou diretamente os opositores da medida. "Enquanto nós conversamos aqui com os trabalhadores, o Valdemar Costa Neto foi à Faria Lima para uma conversa com banqueiros e empresários. A intenção dele é empurrar o projeto com a barriga, por se tratar de um ano eleitoral. Nós queremos que seja votado antes das eleições, para que fique claro quem não está do lado da classe trabalhadora", cravou o ministro.
Com o regime de urgência, a Câmara dos Deputados e o Senado ganham um prazo de 45 dias cada para a deliberação. O trâmite força uma votação até o dia 15 de julho. Para Boulos, o texto traz um impacto social profundo, com um peso ainda maior para as mulheres, pois a cultura machista ainda sobrecarrega as trabalhadoras com o serviço doméstico no único dia de folga da semana.
Rodrigo Rodrigues, presidente da CUT-DF, classificou a mobilização como histórica após a entrega das reivindicações aos líderes dos Três Poderes. "A nossa pauta garante mais direitos. A redução da jornada lidera essa urgência. O projeto já se encontra na mesa do Congresso e a pressão agora recai diretamente sobre os parlamentares", pontuou o dirigente.
Rodrigues atrelou o sucesso das pautas ao crivo popular nas urnas. "A resposta para quem atuar contra o fim da escala 6x1 virá nas eleições. Chegou a hora de renovar aquela casa e eleger os verdadeiros representantes da classe trabalhadora", advertiu.
Sérgio Nobre, presidente nacional da CUT, apontou o caráter vitorioso da mobilização logo no início das atividades. "O presidente Lula acaba de mandar ao Congresso Nacional o projeto para acabar com a escala 6x1", declarou. O dirigente projetou os próximos passos do movimento sindical, com foco na conquista do direito de negociação para os servidores públicos e na regulamentação do trabalho por aplicativos.
Amanda Corcino, secretária nacional da Mulher Trabalhadora da CUT, exigiu em sua fala uma ação firme diante do feminicídio. Ela vinculou a reivindicada queda das estatísticas à atuação rigorosa do Estado e cobrou a expansão das políticas de acolhimento. "A chegada do poder público reduz as ocorrências e nós precisamos dessa rede de proteção em todos os cantos. A nossa ida para as ruas avisa de forma muito clara que não aceitaremos a violência contra a mulher", arrematou.O movimento exige políticas públicas abrangentes para frear a violência de gênero.
Todas essas demandas compõem a Pauta da Classe Trabalhadora. O documento, que pode ser lido integralmente aqui, possui 68 itens e norteia as ações para o ciclo até 2030. Os representantes entregaram as reivindicações aos chefes do Executivo, da Câmara, do Senado, do Supremo Tribunal Federal e do Tribunal Superior Eleitoral.
A base da pauta encontra sustentação no retrospecto das exigências da plenária de 2022. O governo federal encaminhou ou implementou cerca de 70% das diretrizes estabelecidas na conferência anterior. O saldo inclui a política de valorização do salário mínimo, a exigência de igualdade salarial entre gêneros, a ampliação do Bolsa Família e a isenção de imposto de renda para a faixa salarial de até R$ 5 mil.
Esse ano, o evento em Brasília também registrou o repúdio unificado às guerras e aos danos provocados a todas as nações do mundo.