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Jornalistas conquistam reajuste salarial e indicam campanha ainda mais forte em 2023

Além de reajustes salariais, a mobilização da categoria garantiu a manutenção de todas as cláusulas sociais da CCT

Publicado: 01 Setembro, 2022 - 10h00

Escrito por: Vanessa Galassi

SJPDF/reprodução
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Depois de cinco meses de negociação, a categoria dos jornalistas do Distrito Federal aprovou a proposta de reajuste salarial de 11,73% (inflação de abril) no piso salarial e de 8% nos demais salários. O pagamento será realizado em duas parcelas: a primeira em setembro e a segunda em janeiro. A deliberação foi feita em assembleia realizada no último dia 29 de agosto, com participação expressiva da categoria.

A negociação realizada pelo Sindicato dos Jornalistas Profissionais do DF também garantiu abono de 40%, a título de retroativo a partir de abril, data do início das negociações da campanha salarial. Além disso, todas as cláusulas sociais da Convenção Coletiva de Trabalho foram mantidas. 

“Não podemos dizer que (o resultado) contempla integralmente as necessidades e as aspirações da categoria, pois a maior parte dos jornalistas ficará por mais um ano com um reajuste abaixo da inflação. Mas podemos considerar um resultado positivo se pensarmos que essa negociação começou com oferta de 5% de reajuste para toda a categoria”, avalia o coordenador-geral do SJPDF Silvio Queiroz.

Ele pontua que, depois de dois anos sem fazer o corpo a corpo com a categoria devido à pandemia da Covid-19, os dirigentes do sindicato puderam percorrer redações, o que, segundo ele, fortaleceu o movimento. “A expectativa é de continuar ampliando a participação para ter uma campanha salarial ainda mais intensa e com resultados ainda melhores no ano que vem”, reforça o dirigente sindical.

Desafios

Pesquisa realizada pelo Sindicato dos Jornalistas Profissionais do DF mostra que 74% das mulheres jornalistas já sofreu algum tipo de assédio sexual no exercício do trabalho.

Para a diretora do SJPDF Thamy Frisselli, que integra o Coletivo de Mulheres Jornalistas, é essencial que a Convenção Coletiva de Trabalho traga pontos que corrijam o cenário assustador quando é feito o recorte de gênero. “Isso é gravíssimo. Não dá para deixar passar, e naturalizar”, afirma.

A categoria ainda enfrenta outros desafios. Segundo o coordenador-geral do SJPDF Silvio Queiroz, a categoria no Distrito Federal se apresenta de forma dispersa, devido à terceirização e pejotização do setor. Além disso, jornalistas ainda são perseguidos quando se somam a ações convocadas pelo sindicato. “Colegas que participaram da campanha salarial sofreram pressão da chefia”, denuncia Silvio Queiroz.

Atualmente, o DF tem cerca de 2,5 mil jornalistas com carteira assinada. Se contados jornalistas que atuam em assessoria, terceirizados e com outros tipos de vínculo trabalhista, o quantitativo é de, em média, 5 mil. As informações são do SJPDF.