Estratégias de mobilização e disputa política marcam plenária ampliada da CUT-DF
Lideranças sindicais e partidárias debateram a organização para a Marcha da Classe Trabalhadora, a crise no GDF e a urgência de ampliar a representação de trabalhadores no Legislativo
Publicado: 08 Abril, 2026 - 11h31 | Última modificação: 08 Abril, 2026 - 11h37
Escrito por: Marina Maria
A direção ampliada da CUT-DF reuniu lideranças na noite de terça-feira (7) para articular as próximas ações do movimento sindical na capital. O encontro focou na organização da Marcha da Classe Trabalhadora, programada para o próximo dia 15, no 1º de Maio e na análise da atual conjuntura política da cidade.
A ausência de representantes da classe trabalhadora nos espaços de poder pautou a primeira etapa das discussões. Dirigente nacional da CUT licenciada e pré-candidata à Câmara dos Federal, Rosilene Corrêa questionou a dificuldade histórica de eleger quadros oriundos dos movimentos sociais, lembrando que os sindicatos possuem grande capacidade de mobilização em momentos de crise, uma força que precisa ser convertida em votos. "Tem algo que precisamos destravar. Com essa crise do Master, nós precisamos explicar para as pessoas o impacto desse rombo nas nossas vidas. Vamos ter que levar isso para as pessoas e provocar essa indignação", afirmou Rosilene.
O diagnóstico sobre o esgotamento da atual gestão local foi detalhado por Leandro Grass. Ex-presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e pré-candidato ao Governo do Distrito Federal, Grass traçou um panorama da crise que atinge o serviço público, citando as mais de 100 mil demandas de saúde represadas e o impacto econômico na vida de trabalhadores noturnos prejudicados pela falta de mobilidade urbana. "Temos oportunidades. Não temos ilusões. Vamos ter um GDF com muitos problemas, arrebentado, e vamos ter que ter sabedoria, técnica e capacidade política", avaliou.
A articulação entre as frentes sindicais e partidárias foi tratada por Guilherme Sigmaringa Seixas. O dirigente partidário reforçou a urgência de o movimento sindical dar sustentação ativa às pré-candidaturas alinhadas ao campo progressista e de construir os programas de governo de forma coletiva.
Mobilização e conquistas na Esplanada
A ocupação do espaço público foi apontada como a resposta imediata para a conjuntura política. O presidente da CUT-DF, Rodrigo Rodrigues, apresentou a programação oficial da Marcha da Classe Trabalhadora, que ocorrerá na próxima quarta-feira (15). A concentração terá início às 8h com a recepção de caravanas no Teatro Nacional. Uma plenária será realizada na sequência, às 9h, com a previsão de participação dos ministros Luiz Marinho e Guilherme Boulos. A partir das 11h, os manifestantes seguirão em caminhada até o Congresso Nacional. Rodrigo Rodrigues cobrou o engajamento de todos os sindicatos na divulgação e no fortalecimento do ato.
O presidente da CUT-DF também anunciou uma vitória garantida pela pressão sindical para a categoria dos terceirizados. Na próxima segunda-feira (13), está prevista a assinatura de um decreto presidencial garantindo o ressarcimento de auxílio creche e o limite de jornada de 40 horas semanais para todos os trabalhadores terceirizados que atuam na Esplanada dos Ministérios. A medida beneficiará cerca de 45 mil pessoas, evidenciando a viabilidade prática da redução da jornada de trabalho.
A vice-presidenta nacional da CUT, Juvandia Moreira, finalizou os debates destacando que o sucesso das mobilizações de rua é o primeiro passo para o enfrentamento ao extremismo político. A dirigente avalia que a tarefa central neste semestre é promover grandes atos em abril e maio para dialogar com a sociedade e garantir vitórias nas urnas. "O movimento sindical deve se colocar como protagonista desse cenário e trabalhar mais para dar visibilidade às nossas pautas", concluiu Juvandia.
