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Democracia sempre! Terrorismo e golpe não serão tolerados

Nota pública da Executiva da CUT-DF

Publicado: 19 Janeiro, 2023 - 17h26 | Última modificação: 20 Janeiro, 2023 - 08h22

Escrito por: Executiva da CUT-DF

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Quanto maior o tempo entre o presente e as ações terroristas do dia 8 de janeiro, mais urgente se torna a necessidade de saber quem foram seus financiadores e quem são os agentes públicos coniventes com a barbárie que chocou o Brasil e o mundo.

Ao destruir as sedes dos Três Poderes em Brasília, apoiadores de Bolsonaro não deixaram dúvidas sobre o verdadeiro caráter e intuito das aglomerações que não reconhecem a vitória de Lula da Silva. A eles, nunca interessou a democracia e, consequentemente, a dignidade do povo brasileiro.

Não nos esqueçamos, pois, que o fanatismo capaz de ir contra tudo aquilo que se apresenta como lógico, racional e passível de aceitação foi instigado, cultivado e cuidado tanto por quem injetou dinheiro na investida antidemocrática, como por quem facilitou sua execução.

Trampolim para as ações terroristas do dia 8 de janeiro, os acampamentos fascistas em frente ao QG do Exército em Brasília nunca deveriam ter sido permitidos. A tentativa de invasão da sede da Polícia Federal, no dia 12 de dezembro, com direito a carros de civis queimados e botijões de gás em vias públicas, poderia facilmente ser evitada ou, ao menos, ter sido repreendida. E a complacência televisionada das forças de segurança com os agrupamentos jamais terá justificativa. A omissão do Governo do Distrito Federal diante disso, muito menos. Afinal, defender as instituições democráticas e a própria democracia deve ser a prioridade de qualquer governador. Não é diferente, portanto, para Ibaneis Rocha, afastado por 90 dias do cargo, em decisão do ministro Alexandre de Morais (STF), por “omissão e conivência” com “criminosos que, previamente, anunciaram que praticariam atos violentos contra os Poderes constituídos”.

Aliás, quando em análise o governo Ibaneis, omissão é palavra recorrente. Em plena pandemia da Covid-19, o DF foi um dos últimos estados a oferecer vacina à população. Os casos de dengue explodiram, ultrapassando o aumento de 3.400% entre 2018 e 2022. Na Cultura, artistas esquecidos, projetos parados e patrimônios, como o Teatro Nacional, abandonados. Nas escolas, salas de aula superlotadas, atraso no repasse dos recursos do Programa de Descentralização Administrativa e Financeira (PDAF), militarização. Taxa de energia elétrica mais cara e serviços ofertados pelo setor elétrico em queda contínua de qualidade com a privatização da CEB. Diálogo praticamente zero com representações da classe trabalhadora e de toda a sociedade civil. E para cuidar da segurança da população, a nomeação do ex-ministro da Justiça de Bolsonaro Anderson Torres para chefiar a Secretaria de Segurança Pública. Entre os antecedentes, Torres, enquanto ministro, foi conivente com o bloqueio das estradas por bolsonaristas após as eleições, caso citado pelo atual ministro da Justiça, Flávio Dino. 

Eleito com apoio de bolsonaristas, Ibaneis agora estuda estratégias para se reinstalar no cargo de governador. Nessa corrida, chegou a publicar nota afirmando “inabalável defesa e crença nas instituições, no Estado de Direito Democrático, na observância das leis e da Constituição”. 

Todavia, é urgente lembrar que a defesa da democracia se concretiza com a execução de políticas públicas, com o diálogo com a sociedade e com a valorização de tudo aquilo que é público. A defesa disso é pauta histórica da classe trabalhadora. Lutamos e continuaremos lutando, permanentemente, pela democracia, em nome da justiça, da igualdade e da paz.

É por isso que a CUT-DF reitera seu posicionamento diante das ações terroristas do dia 8 de janeiro: queremos a apuração minuciosa do ocorrido, além do julgamento e punição exemplar de todos os envolvidos, direta e indiretamente, nos atos criminosos. Enquanto não for dado um basta aos atos fascistas e na tentativa de golpe de Estado, nossa democracia estará vulnerável, bem como nossos direitos e a nossa vida.