Escrito por: Marcos Paulo (Maracatu)/CUT-DF

CUT-DF e movimentos convocam ato em defesa da democracia no 8 de janeiro

A mobilização também pede o veto ao PL da Dosimetria

Ed Alves CB/DA Press

O presidente da Central Única dos Trabalhadores do Distrito Federal (CUT-DF), Rodrigo Rodrigues, confirmou, em entrevista ao programa CB.Poder, do Correio Braziliense, a realização de um ato público em defesa da democracia no próximo 8 de janeiro, em Brasília. A mobilização acontece a partir das 10h30, em frente ao Palácio do Planalto, e ocorre de forma simultânea à cerimônia oficial do governo que marca os dois anos dos ataques golpistas de 2023.

Segundo Rodrigues, a atividade é organizada pelas Frentes Brasil Popular, Povo sem Medo, CUT-DF em conjunto com movimentos sociais, centrais sindicais e partidos políticos, e tem como objetivo reafirmar o compromisso com a democracia e cobrar punição aos responsáveis pelos atos antidemocráticos.

“A nossa convocação é para que a população, a militância e todos que defendem a democracia estejam na frente do Palácio do Planalto”, afirmou.

Defesa da democracia e veto ao PL da dosimetria

Além do caráter simbólico do 8 de janeiro, o ato levará como pauta central o pedido de veto integral ao Projeto de Lei da dosimetria, aprovado recentemente pelo Congresso Nacional. Para o dirigente sindical, o texto representa uma tentativa de redução de penas para crimes cometidos contra a democracia.

“Não é pouca coisa o que aconteceu naquele 8 de janeiro. Existiram planos muito bem estruturados, inclusive com previsão de assassinatos. Por isso, somos contra esse projeto e defendemos que os responsáveis sejam punidos”, destacou Rodrigues.

De acordo com ele, a CUT acredita que a pressão popular pode ser decisiva para garantir tanto o veto presidencial quanto sua manutenção no Congresso. O presidente da entidade lembrou que a mobilização social já foi fundamental em outras ocasiões, como na derrubada da chamada PEC da blindagem.

Ano eleitoral amplia responsabilidade do Congresso

Rodrigo Rodrigues ressaltou que 2026 será um ano eleitoral, o que torna o debate ainda mais sensível. Para ele, parlamentares tendem a ouvir mais atentamente a sociedade em um contexto no qual a democracia volta a ser colocada no centro das decisões políticas.

“A maior parte da população é contra a redução de penas para quem atentou contra a democracia. Vamos pressionar cada parlamentar para que não vote a favor dessa anistia disfarçada”, afirmou.

Fake news e inteligência artificial no centro do debate

Durante a entrevista, o presidente da CUT-DF também alertou para o crescimento das fake news, especialmente em períodos eleitorais. Segundo ele, o uso de inteligência artificial na produção de imagens e vídeos realistas amplia o desafio do combate à desinformação.

“Vai ser um ano complicado. A checagem de informações e a responsabilidade dos veículos de comunicação serão fundamentais”, avaliou.

Impactos da inteligência artificial no mundo do trabalho

Rodrigues também abordou os efeitos da inteligência artificial sobre o mercado de trabalho. Para ele, o avanço tecnológico é inevitável, mas precisa ser regulado por meio da negociação coletiva, garantindo proteção aos trabalhadores.

A CUT, segundo ele, orienta sindicatos a incluírem cláusulas específicas sobre o uso de IA nos acordos coletivos, com foco na manutenção de empregos e na melhoria das condições de trabalho.

Escala 6x1, jornada de trabalho e uberização

Outro ponto destacado foi o debate sobre a escala 6x1 e a redução da jornada de trabalho sem redução salarial, pauta histórica do movimento sindical. Rodrigues ressaltou que jornadas exaustivas afetam especialmente trabalhadores do comércio, dos serviços e da limpeza urbana, com impacto ainda maior sobre as mulheres.

O dirigente também criticou a uberização do trabalho, afirmando que plataformas digitais precarizam relações trabalhistas ao negar direitos básicos previstos na legislação.

“O trabalhador de aplicativo é tratado como parceiro, mas enfrenta jornadas de até 16 horas por dia, sem qualquer proteção”, denunciou.

Defesa da CLT e dos direitos trabalhistas

Por fim, o presidente da CUT-DF defendeu a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) como instrumento essencial de proteção social. Segundo ele, apesar da tentativa de desqualificação do termo nas redes sociais, os trabalhadores seguem reivindicando direitos como férias, 13º salário, previdência e afastamento por motivos de saúde.

Serviço

📅 Data: 8 de janeiro
Horário: a partir das 10h30
📍 Local: em frente ao Palácio do Planalto