Ato em frente à CNI marcou o Dia Nacional de Luta em Brasília e reforçou a pressão pela votação da redução da jornada sem corte de salários; mobilizações continuam nos dias 12 e 13 de agosto
Trabalhadoras e trabalhadores se reuniram na manhã desta segunda-feira (10), em frente ao prédio da Confederação Nacional da Indústria (CNI), em Brasília, para exigir o fim da escala 6x1 e a redução da jornada de trabalho sem diminuição salarial. A atividade integrou o Dia Nacional de Luta convocado pela CUT e outras centrais sindicais
A mobilização ocorreu no dia em que o Senado retomou as votações e as atividades presenciais após o recesso parlamentar. Com a proposta já aprovada pela Câmara dos Deputados, as entidades concentram a pressão sobre o presidente da Casa, Davi Alcolumbre, responsável por encaminhar a matéria para análise dos senadores.
As atividades continuam nesta quarta e quinta-feira (12 e 13), a partir das 14h, em frente ao Anexo II do Senado Federal, via N2. O objetivo é manter a pressão durante a primeira semana de esforço concentrado no Congresso e assegurar que o fim da escala 6x1 entre na pauta antes do período eleitoral.
O presidente da CUT-DF, Rodrigo Rodrigues afirmou que a redução da jornada é um direito reivindicado há décadas pela classe trabalhadora. Segundo ele, os argumentos de colapso econômico reaparecem sempre que direitos avançam, embora a história não confirme essas previsões. “Queremos que o Senado destrave essa pauta e coloque o assunto em votação. A classe trabalhadora tem direito ao seu tempo”, declarou.
A proposta aprovada pela Câmara reduz a jornada máxima semanal de 44 para 40 horas, assegura dois dias de descanso remunerado e preserva os salários. O texto prevê uma transição até a nova carga horária e ainda precisa ser aprovado em dois turnos no Senado. Caso os senadores alterem o conteúdo, a matéria retornará à Câmara.
Para o presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores no Comércio e Serviços (Contracs-CUT), Julimar Roberto, a escolha da sede da CNI para o protesto respondeu à resistência de setores empresariais. O dirigente rejeitou as previsões negativas sobre a mudança e defendeu que melhores condições de descanso podem favorecer a produtividade e a distribuição de renda. “Queremos que o mesmo texto seja aprovado no Senado antes das eleições. Na quarta e na quinta-feira, vamos cobrar que Davi Alcolumbre cumpra sua obrigação como presidente da Casa e coloque a proposta em votação”, disse.
O diretor licenciado do Sindicato dos Bancários de Brasília, Jacy Afonso, destacou que a pauta alcança toda a classe trabalhadora, mesmo quem não cumpre a escala 6x1. Ele defendeu pressão direta sobre os três senadores do Distrito Federal e lembrou que a jornada está presente no cotidiano de diferentes categorias. “Não podemos apenas esperar a votação. É preciso sustentar a luta dos sindicatos e cobrar os parlamentares”, afirmou.
Secretária de Saúde do Sindicato dos Bancários de Brasília, Vanessa Nóbrega relacionou a jornada extensa ao adoecimento e à falta de tempo para a vida familiar. “Uma semana exaustiva deixa apenas um dia para os afazeres domésticos, o descanso e a convivência com a família. Isso é muito grave. Os bancários apoiam essa luta ao lado de toda a sociedade brasileira”, declarou.
O ato em Brasília fez parte de uma agenda nacional que reuniu manifestações, panfletagens e diálogos com a população em diferentes regiões. Houve atividades em cidades como Salvador, Curitiba, Teresina, Recife, Porto Alegre e São Paulo, além de municípios do ABC Paulista e do interior de São Paulo. As ações buscaram ampliar o apoio popular e cobrar celeridade na tramitação da proposta.