Autodeterminação e liberdade: mulheres saarauís inspiram lutas em Brasília
Ato político-cultural, reuniões e entrega de documentos foram algumas das atividades realizadas nessa terça-feira
Publicado: 19 Fevereiro, 2025 - 14h01
Escrito por: Marina Maria | Editado por: Leandro Gomes

A luta pela vida, a dignidade e os direitos das mulheres superam fronteiras territoriais e culturais. Por isso, o Dia Mundial de Luta em Solidariedade às mulheres do Saara Ocidental, celebrado nessa terça-feira (18), foi marcado por uma série de atividades de mobilização, articulação e conscientização sobre a guerra invisível enfrentada pela população deste território.
Logo pela manhã, a CUT-DF, a Marcha Mundial de Mulheres (MMM) e a Associação de Solidariedade e Pela Autodeterminação do Saara Ocidental (Asaaraui) estiveram no Itamaraty. A reunião contou com a participação de representantes do próprio órgão, do ministério de Relações Exteriores e do ministério das Mulheres.
Na ocasião, os movimentos populares entregaram uma Carta ao Estado Brasileiro, que pode ser lida integralmente aqui. O documento, assinado por 22 entidades, explicita a atual situação da população do Saara Ocidental e reivindica que o Brasil reconheça a República Árabe Saaraui Democrática, bem como a Embaixada do país. Vale lembrar que a República passa por uma situação parecida com a da Palestina, que já tem esse reconhecimento do nosso país.
Já no período da tarde, a carta foi entregue diretamente nas mãos do ministro Márcio Macedo, da Secretaria-Geral da Presidência da República. Em ambas as situações, as militantes lembraram a dura realidade da população Saaraui, sobretudo das mulheres, impactadas de diversas formas pela guerra e pela exploração de seus territórios.
Contra a guerra e o capitalismo, pela soberania dos povos e o bem viver
O dia 18 de fevereiro, em 2025, também marcou o lançamento da 6º campanha internacional da Marcha Mundial de Mulheres, cujo tema conversa diretamente com as mulheres saarauís. Com o mote: “Marchamos contra a guerra e o capitalismo, defendemos a soberania dos povos e o bem viver”, o movimento começou este ano com uma transmissão realizada no Saara Ocidental nessa terça (18) e termina em 17 de outubro no Nepal.
A 6º ação internacional da Marcha realiza, ao longo desse período, uma série de ações que acontecerão em mais de 60 países pelo mundo. “A gente precisa lutar pela autodeterminação dos povos e pela autodeterminação dos corpos das mulheres, da vida das mulheres. A autonomia das mulheres não está descolada da autodeterminação dos povos”, explicou Thaísa Magalhães, secretária da Mulher Trabalhadora da CUT-DF e da Asaaraui.
“É uma data emblemática, em homenagem às mulheres que lutam e gerenciam esse território, onde a maioria dos homens estão na guerra, e elas são responsáveis por toda a produção da sustentabilidade, tem a participação política. Aqui no Brasil estamos muito distantes da representação política que as mulheres saarauís têm na República Democrática Saarauí”, disse Thaísa.
Mirian Nobre, coordenadora nacional da MMM, esteve presente nas atividades de Brasília e destacou a importância da unidade internacional das mulheres e do 18 de fevereiro, incorporado no calendário de luta feminista desde 2013. “É um dia de solidariedade marcado pela memória das muitas mulheres assassinadas neste conflito. Denunciamos uma série de violências, praticadas inclusive com armas proibidas internacionalmente. A violência contra as mulheres é utilizada como arma de guerra. Precisamos de uma unidade internacional para ter as nossas pautas ouvidas”, explicou.
Em ato político-cultural, realizado na noite dessa terça (18), na Embaixada Informal a da República Árabe Saaraui em Brasilia, a ex-deputada federal e presidenta da Asaaraui, Maria José Maninha, apelou aos presentes para difundirem a realidade enfrentada por essa população, que, segundo Maninha, enfrenta uma “guerra invisível”. “Pedimos que essa história seja contada para fortalecer a cada dia a luta de milhares de pessoas”, afirmou.
A atividade da noite foi transmitida integralmente pela TV Cultura e pode ser vista aqui.