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Além dos números | DF perde mais de 10 mil vidas para a covid-19

Mais 10 mortes e 589 novos casos de Covid-19 foram registrados no último sábado (11). A capital ainda tem 55% dos leitos de UTI ocupados

Publicado: 13 Setembro, 2021 - 14h50

Escrito por: Marina Maria

Buda Mendes/Getty Images
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Com quase 500 mil infectados desde o começo da pandemia, o Distrito Federal atingiu, recentemente, a lamentável marca de 10 mil mortes por covid-19. Esse número ─ que poderia ser bem menor ─ infelizmente reflete a falta de sensibilidade de um governador cuja prioridade, desde o começo da pandemia, foi agradar o empresariado da capital, expondo a classe trabalhadora e a população mais vulnerável ao risco de morte, fato que pode ser comprovado em números.  

Ceilândia, Santa Maria, Recanto das Emas, Samambaia e Brazlândia concentram os maiores números de óbitos em decorrência do vírus. Ao mesmo tempo, as regiões administrativas em que a taxa de mortalidade foi menor, são aquelas que possuem moradores com maior poder aquisitivo, como Sudoeste, Lago Sul, Cruzeiro e Águas Claras, por exemplo. 

Isso acontece porque, ao invés de preocupar-se em aumentar o acesso a atendimento de saúde no DF, auxiliar a população mais vulnerável a ficar em casa durante o período mais crítico da pandemia ou ainda fortalecer as pequenas e médias empresas para que não fechem as portas diante da crise, Ibaneis Rocha (MDB) decidiu seguir a mesma política do governo Bolsonaro, responsável pela morte de milhares de brasileiras e brasileiros.  

Um pai, um filho, um militante

Neste domingo (12), completou um ano do falecimento de Antonio José Pereira (61), uma das vítimas do descaso e da incompetência das lideranças brasileiras em lidar com a crise sanitária. O notório militante de esquerda de Brasília deixou um legado de sonhos, esperança e muitas lutas. 

“Meu pai foi funcionário da câmara dos deputados. Estava aposentado há três semanas quando adoeceu. Formou-se em biomedicina pela Universidade de Brasília, mas não exerceu sua formação na área. Se especializou em Sistemas da Informação e atuou como analista de sistemas. Aos 48 anos, quando comecei a dar meus primeiros passos na música, ele decidiu estudar produção musical e se dedicar à música. Montou um estúdio aqui em casa e mais tarde foi chamado para trabalhar como operador de áudio na Liderança do PT, nos bastidores das lives das redes sociais do PT na Câmara. Também esteve à frente das atividades do diretório do PT no Núcleo Bandeirante, atuando como secretário de formação política. Era espírita kardecista, e fez parte do movimento Espíritas à Esquerda, cujo objetivo é unir militantes para desmistificar os embates ideológicos dentro do espiritismo”, relata uma das filhas de Antonio, a cantora e compositora Mariana Camelo. 

O militante contraiu o vírus em agosto do ano passado, após o adoecimento de sua mãe, Eliza de Souza Pereira, que também não resistiu à covid-19. Embora o tratamento de Antonio tenha sido realizado pela rede privada, Mariana afirma que a superlotação do sistema de saúde do DF dificultou o tratamento de seu pai.  

“Ao se sentir mal com os sintomas da covid, ele procurou por outros hospitais, porém devida à superlotação dos leitos de UTI e à urgência da internação, precisou ser internado em um hospital que não estava atendendo pacientes com COVID de forma direta”, relembrou a cantora. 

Mesmo considerando que a morte de Antonio aconteceu em um momento em que as pesquisas para a produção de vacinas ainda estavam sendo realizadas, Mariana acredita que se o Estado tivesse dado mais assistência às trabalhadoras e aos trabalhadores, viabilizando o isolamento social, muitas mortes poderiam ter sido evitadas, inclusive as de seus familiares. 

A memória de Antonio José Pereira, que agora é um dos 10.201 mortos por covid-19 no DF, não pode desaparecer. Definido como “um homem íntegro, um companheiro combativo, determinado e generoso” pela nota de pesar do PT-DF, Antonio partiu lutando contra a indiferença, o individualismo e a injustiça.

Assim como ele, todas as outras vítimas da pandemia merecem ser lembradas, com humanidade, respeito e também com revolta. Os mortos por covid-19 foram acima de tudo assassinados por um sistema que negocia em cima da própria vida, desvalorizando o sofrimento humano e colocando-o sempre abaixo do capital.