Escrito por: Marina Maria

“A nossa luta é pela vida”: Mulheres ocupam as ruas em Brasília

Mobilização reuniu manifestantes e unificou pautas por direitos trabalhistas, fim da escala 6x1, combate ao feminicídio e críticas à gestão do GDF.

Marcos Paulo (Maracatu)

No Dia Internacional das Mulheres, o centro de Brasília foi ocupado por manifestantes. O ato reuniu militantes de movimentos sociais, sindicais e estudantis em torno de pautas urgentes: o combate ao feminicídio, a defesa da democracia e o grito de "fora Celina Leão e Ibaneis". A chuva que atingiu o DF não desanimou as participantes; uma estiagem no início da mobilização garantiu a continuidade da marcha.

A organização do evento contou com a CUT-DF e seus sindicatos filiados, com forte presença das trabalhadoras. Com bandeiras e baterias, as militantes evidenciaram que a emancipação feminina passa pela garantia de direitos, reforçando que a luta por valorização salarial, o fim da escala 6x1 e a erradicação do assédio nos locais de trabalho são indissociáveis da defesa da vida. Parlamentares progressistas e grupos culturais, como as fanfarras de Brasília, Martinha do Coco e Batalá, também integraram a atividade.

O combate ao feminicídio foi o foco principal, refletindo a urgência do tema na capital. Dados da Secretaria de Segurança Pública (SSP-DF) revelam que 28 mulheres foram vítimas de feminicídio no DF em 2025. O cenário permanece crítico: apenas em janeiro de 2026, foram registrados três casos consumados e cinco tentativas, exigindo ação imediata do Estado.

A cobrança por políticas públicas marcou os discursos. A secretária da Mulher Trabalhadora da CUT-DF, Thaísa Magalhães, denunciou a ineficácia da gestão local. Ela destacou que, apesar da inauguração de duas unidades da Casa da Mulher Brasileira, faltam investimentos e concursos públicos. "Hoje a nossa cobrança é ao governo do Distrito Federal, é à vice-governadora Celina Leão, é ao governador Ibaneis Rocha. Cadê a segurança para as mulheres do DF? Cadê a política de combate à misoginia?", questionou a dirigente.

Amanda Corcino, presidenta nacional da Secretaria da Mulher Trabalhadora da CUT-DF, ressaltou a importância do 8 de março para denunciar a violência de gênero e impulsionar a eleição de mulheres progressistas. A dirigente conectou os direitos trabalhistas à sobrecarga feminina, defendendo a ratificação da Convenção 190, contra o assédio no trabalho, e a redução da jornada. "Importante o apoio ao fim da escala 6 por 1, mas que esse debate possa vir acompanhado da corresponsabilização do trabalho de cuidado", afirmou Amanda, que ainda prestou solidariedade às mulheres afetadas por guerras e sanções.

A deputada federal Érika Kokay ressaltou o protagonismo feminino na resistência democrática e no enfrentamento à extrema direita. Reivindicando a autonomia das mulheres sobre os próprios corpos, ela lembrou o papel decisivo do eleitorado feminino nas últimas eleições. "Fomos nós, mulheres, que arrancamos a faixa presidencial do peito estufado do fascismo", afirmou, convocando as manifestantes para a disputa política local: "derrotar Ibaneis e Celina Leão defendendo esta cidade".

A diplomata boliviana Vanessa Veizaga Arteaga fez um relato sobre as violências que atravessam as mulheres latino-americanas. Rompendo o silêncio institucional, lembrou que "sou diplomata, mas não deixo de ser mulher", expondo o feminicídio de sua mãe e o assédio moral na carreira. Vanessa defendeu a união pelos direitos das trabalhadoras e imigrantes, e afirmou não temer retaliações. "Queremos um amanhã em que nossos filhos falem que minha mãe não teve medo", concluiu.

O ato deste 8 de março reforça que a mobilização das mulheres no Distrito Federal é contínua e ultrapassa o calendário oficial. Ao unificar a reivindicação por direitos trabalhistas, o enfrentamento estrutural à violência de gênero e a oposição direta ao atual governo local, as manifestantes deixaram claro que a resistência seguirá organizada nos sindicatos, nas ruas e nos locais de trabalho. A marcha encerrou o dia, mas reafirmou o compromisso diário da classe trabalhadora: a defesa inegociável da vida das mulheres e a construção de um DF com igualdade e sem violência.

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